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Paraná lidera ranking nacional de famílias acolhedoras

Paraná lidera ranking de famílias acolhedoras com 1.202 cadastradas. Estado tem 617 crianças em acolhimento familiar. Conheça histórias de amor e transformação.

Redação 104 News

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Paraná lidera ranking nacional de famílias acolhedoras

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Bióloga descobriu vocação durante a pandemia

Tanatiana Motyl, moradora de Paranaguá, nunca quis ser mãe. Na verdade, ela achava que não gostava de crianças. Também acreditava que não levava jeito para cuidar delas. No entanto, estava completamente errada sobre si mesma. Durante a pandemia, a bióloga conheceu o serviço de Família Acolhedora por meio do marido. A partir desse momento, sua vida foi transformada de maneira surpreendente.

O acolhimento familiar é uma medida de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dessa forma, crianças e adolescentes que precisam ser afastados temporariamente de sua família de origem são encaminhados para esse serviço. Em vez de irem para um abrigo institucional, elas ficam sob os cuidados de uma família. Além disso, a execução do serviço ocorre pelas prefeituras em articulação com o Poder Judiciário.

Em pouco mais de cinco anos, Tanatiana e o esposo, Leopoldo Bonfim, já cuidaram de sete crianças. Atualmente, eles estão com a oitava, uma bebê de 11 meses. “Antes de me casar, eu era freira, então sempre tive essa necessidade de ajudar o próximo“, conta Tanatiana. Ela não sabia se ia gostar de acolher. Contudo, na primeira criança, ela se apaixonou e não quis parar mais. “Ver o desenvolvimento delas é um presente“, completa a bióloga. “A gente cuida como se fosse nosso. Damos todo amor, carinho e cuidado“, acrescenta Leopoldo.

Estado lidera com folga no cenário nacional

De acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Paraná lidera o ranking de crianças em acolhimento familiar no país. São 617 crianças nessa situação atualmente. Além disso, o Estado também lidera o ranking nacional de famílias acolhedoras cadastradas. São exatamente 1.202 famílias disponíveis para essa importante missão. Os dados são de 23 de agosto de 2026 e, portanto, mostram a força do programa paranaense.

O prazo máximo com uma família acolhedora não costuma superar 18 meses. Essa é uma medida excepcional e temporária. Durante esse período, decide-se se a criança vai retornar para a família de origem. Em caso contrário, ela será encaminhada para adoção. Mesmo sendo temporário, o acolhimento familiar traz benefícios enormes. A despedida é difícil, mas o impacto positivo permanece. Crianças em situação de vulnerabilidade se desenvolvem muito melhor nesse ambiente.

Preferimos, como política judiciária, o acolhimento familiar“, afirma a juíza Daniana Schneider. Ela atua na Vara da Infância e Juventude de Paranaguá. “A criança, num seio familiar, cercada de cuidado e afeto, se desenvolve de uma forma mais saudável“, explica a magistrada. Ela reconhece que uma instituição também oferece direitos básicos. Porém, o cuidado dentro de um ambiente familiar é muito mais efetivo. Essa é a convicção que orienta a política local.

Comerciante acolheu após experiência em abrigo

A comerciante Viviane Cardoso sabe exatamente o que é estar em um abrigo institucional. Ela viveu essa realidade na própria infância. Em 2025, depois de assistir a uma palestra sobre famílias acolhedoras, ficou profundamente interessada. O marido e os dois filhos toparam a ideia imediatamente. Um filho tem 7 anos e o outro, 19. Assim, a casa deles se transformou em um lar acolhedor.

Quando uma criança está num lar coletivo, tudo o que ela quer é estar em uma família“, relata Viviane. Ela pensou muito sobre isso e, então, decidiu conhecer o serviço. Depois de um tempo, receberam a foto de uma criança. “Não tinha como dizer não”, confessa a comerciante. “Apesar de saber que elas vão embora, é muito gratificante você saber que ajudou uma pessoa“, completa. Ela acredita que a criança pode ter um futuro diferente porque alguém esteve presente.

Em Paranaguá, o serviço conta atualmente com 25 famílias acolhedoras cadastradas. A psicóloga Lori Nunes Pereira acompanha de perto essas vivências. Ela destaca os benefícios da medida com entusiasmo. “A melhor linguagem que existe é o amor”, afirma a profissional. Durante o período de acolhimento, a criança se sente segura. Ela recebe o que mais precisa no momento: um lar acolhedor e afetuoso.

Acolhimento transforma também quem acolhe

Os benefícios não são apenas para as crianças e adolescentes. Quem acolhe também experimenta uma transformação profunda. “Elas fazem tão bem para a gente quanto a gente para eles“, diz Tanatiana. “Se pudermos fazer a diferença para uma criança, já valeu a pena“, completa a bióloga. Leopoldo compartilha do mesmo sentimento. “É uma experiência gratificante que traz um crescimento“, afirma ele. “Nós mudamos nossa fisionomia, nossas atitudes, nossa aura quando estamos acolhendo. Transbordamos amor“, finaliza Leopoldo com emoção.

Fonte: TJ/PR

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